Incontinência urinária feminina


Incontinência urinária é a perda involuntária da urina que acomete mulheres de todas as idades, com maior prevalência em mulheres acima de 60 anos. A incontinência urinária possui diversas causas, algumas delas podem ser transitórias, como infecções urinárias e vaginais, efeitos colaterais de medicamentos, ou permanentes e duradoras como em casos de malformação do esfíncter e uretra, bexiga hiperativa e incontinência urinária de esforço.

A incontinência urinária de esforço é a causa mais comum de incontinência urinária feminina, definida como a perda de urina durante qualquer esforço ou exercício físico, tosse ou espirro, causada devido à fraqueza dos músculos pélvicos que dão suporte à bexiga. O diagnóstico da incontinência urinária de esforço baseia se na história de vida da paciente, exame físico e exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética. O médico também pode solicitar exame de urina a fim descartar a possibilidade da infecção urinária.


Tratamento conservador da incontinência urinária feminina

O tratamento conservador da incontinência urinária feminina (IU) não envolve uso de medicação e/ou cirurgias. O tratamento baseia-se em mudanças de estilo de vida, alterações programadas dos hábitos miccionais e técnicas fisioterápicas. Esta forma de tratamento possui baixo custo, são isentas de efeitos colaterais e não trazem prejuízos ou interferências com outras modalidades terapêuticas que venham a ser adotadas subsequentemente no tratamento da incontinência urinária. Além de não possuir restrição, sendo indicado para pacientes com quadros miccionais leves, casos de contraindicações a procedimentos cirúrgicos e para mulheres com planos futuros de engravidar.

Mudanças no estilo de vida: Alterações no estilo de vida podem melhorar a incontinência urinária em mulheres e dentre as recomendações feitas por profissionais de saúde estão: perda de peso, realização de exercícios físicos moderados, mudanças de hábitos alimentares, redução de estresse, uso de roupas mais largas e de algodão, tratamento de alergias e tosses crônicas.


Reabilitação do assoalho pélvico

Cinesioterapia do assoalho pélvico: Compreende a realização de exercícios para o fortalecimento e reabilitação dos músculos pélvicos. A cinesioterapia consiste na realização de contrações repetidas que proporcionam o aumento da força muscular. A recuperação do tônus muscular devolve a resistência uretral e melhora a flexibilidade, mobilidade e coordenação muscular dos órgãos pélvicos.

Uso de cones vaginais: o objetivo desta técnica é melhorar o tônus da musculatura pélvica introduzindo na cavidade vaginal cones de material sintético e de diferentes pesos. A presença de cones na cavidade vaginal estimula a contração da musculatura do períneo na tentativa de reter os cones. O treino inicia com cones de menor peso que são mantidos no interior da vagina pelo menos um minuto na posição em pé. O treino evolui até que cones mais pesados possam ser mantidos por mais tempo pela paciente.

Biofeedback: Biofeedback são aparelhos introduzidos no canal vaginal para monitorar a contração e o relaxamento muscular durante a realização de exercícios para o fortalecimento do assoalho pélvico. O uso de aparelhos de biofeedback permite a paciente controlar a força aplicada, a duração e os músculos trabalhados durante os exercícios de treinamento da musculatura do assoalho pélvico.

Eletroestimulação do assoalho pélvico: A incontinência urinária de esforço ocorre devido a lesões no nervo que controla a musculatura do assoalho pélvico. O objetivo do uso da eletroestimulação é restabelecer a função muscular e nervosa do assoalho pélvico. A emissão de estímulos elétricos restabelece as conexões neuromusculares e melhora a função da fibra muscular.


Regimes miccionais programados

Treinamento vesical: consiste na programação das micções por meio da tentativa de urinar antes de atingir o volume de líquido da bexiga que desencadeia os sintomas de incontinência urinária. Os objetivos do treinamento vesical são corrigir padrões e hábitos “defeituosos”, melhorar o controle sobre a urgência miccional, prolongar os intervalos de esvaziamento e aumentar a capacidade funcional da bexiga.

Micção agendada ou programada: consiste na adoção de um regime de micções com base em um calendário fixo que permanece inalterado ao longo do curso do tratamento. O objetivo dessa forma de terapia é evitar episódios de incontinência urinária, oferecendo oportunidades regulares de esvaziamento vesical antes que o volume da bexiga exceda a sua capacidade. Técnica recomendada para pacientes com dificuldade de controle miccional e déficit de sensibilidade vesical que impedem o seu acesso ao sanitário em tempo hábil quando desejo miccional surge.


Tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço

O tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço é indicado em casos de falhas do tratamento conservador, como mudanças de estilo de vida, terapias comportamentais e reabilitação do assoalho pélvico. As cirurgias de sling é atualmente o procedimento mais utilizado no tratamento cirúrgico da incontinência urinária por esforço e parecem ser os que mais se aproximam do ideal para correção das perdas urinárias e as alterações fisiopatológicas da incontinência urinária. Durante o procedimento cirúrgico, é feito uma pequena incisão na parede da vagina, pela qual é implantada uma faixa de material sintético (sling) que traciona a uretra, a fim de restaurar o ligamento enfraquecido e o controle da micção. A técnica de sling consiste em procedimento pouco invasivo, com rápida recuperação e com imediato retorno da continência urinária.

Formulário de Contato

Preencha os campos abaixo, teremos o prazer em atender.